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Postado em (editado)

Carros do Mercosul, do México e feitos no Brasil teriam larga margem de lucro.

 

. Há muita gordura pra queimar: governo reduz impostos e fabricantes remetem lucro para o exterior[/b]

 

O presidente da Abeiva, a associação dos importadores, Flavio Padovan, fez as contas para mostrar que a principal razão do alto preço do carro no Brasil é a excessiva carga tributária, em resposta à reportagem da revista Forbes, que em sua versão on line atacou o preço excessivo cobrado no Brasil pelos carros importados.

 

A reportagem humilha o consumidor brasileiro: “Pagar R$ 179 mil, ou US$ 89,5 mil por um Jeep Grand Cherokee é “ridículo”, escreveu Kenneth Rapoza. “Foi mal, Brazukas... não há status em um Corolla, um Civic, um Grand Cherokee ou um Durango. Não se deixem enganar pelo preço. Vocês estão definitivamente sendo roubados. O que você diria se um colega americano lhe dissesse que pagou US$ 150 por um par de Havaianas?”

 

Como a referência do jornalista foi para o carro importado, Padovan fez questão de mostrar que o preço alto cobrado pelas marcas do segmento ocorre em razão do tratamento diferenciado em relação aos carros produzidos no Brasil.

 

Pelas contas do dirigente, um carro com motor acima de 2.0 supostamente comprado por R$ 100 mil no exterior (preço FOB = de fábrica + frete) é vendido no Brasil por R$ 343,2 mil.

 

Desse valor, segundo ele, apenas R$ 14,4 mil (ou 7,5%) ficam com o importador, como margem de lucro. Bruta. O resto é imposto, taxa e lucro do distribuidor.

 

Veja a composição do preço, segundo a Abeiva:

 

Valor pago no exterior R$ 100 mil

Alíquota de importação R$ 35 mil

Despesas aduaneiras R$ 3 mil

Cofins, PIS e ICMS R$ 54 mil

Total Parcial R$ 192.000,00

IPI (25% + 30%) s/ Parcial R$ 105 mil

Margem do importador R$ 14,4 mil

Margem do concessionário R$ 31,2 mil

Preço final R$ 343,2 mil

 

 

Se as contas estiverem corretas, tem concessionária pagando para trabalhar, pois muitos carros importados são vendidos a preço abaixo da tabela, com descontos que se aproximam da estimada margem de lucro. Como não é possível deixar de pagar o fornecedor e nem os impostos, a única possibilidade de reduzir o preço final é abrir mão da margem de lucro.

 

Em alguns casos, como o Malibu, da GM, o desconto é maior do que a margem de 7,5%, conforme pesquisa Molicar:

 

Malibu R$

Preço oficial 99.900,00

Margem (*) 7.425,00

Restariam 92.376,00

Preço praticado 90.000,00

Prejuízo (?) 2.376,00

 

 

Além do Malibu, outros carros importados são vendidos com desconto, o que reduziria a margem de lucro do importador, casos do Tribeca, do Jimny e do 308 Cabriolet.

 

Subaru Tribeca: R$

Preço oficial 155.000,00

Margem prevista (*) 11.625,00

Restariam 143.375,00

Preço praticado 145.000,00

Margem reduzida a 1.625,00

Suzuki Jimny:

Preço oficial 54.790,00

Margem prevista (*) 4.109,00

Restariam 50.681,00

Preço praticado 52.000,00

Margem reduzida a 1.319,00

Peugeor 308 Cabriolet:

Preço oficial 129.990,00

Margem prevista (*) 9.749,00

Restariam 120.241,00

Preço praticado 125.000,00

Margem reduzida a 4.759,00

 

(*) 7,5%, segundo a Abeiva

 

 

Seguindo o mesmo raciocínio, a margem de lucro dos carros importados do Mercosul e do México - que não pagam alíquota de importação (R$ 35 mil) e nem o IPI especial de 30% (R$ 30 mil) - teria um adicional de R$ 65 mil num carro cujo preço de custo fosse R$ 100 mil, como no exemplo da Abeiva. Somada aos 7,5% “oficiais” a margem total seria de R$ 79,4 mil (R$ 65 mil + R$ 14,4 mil).

 

Já o carro fabricado no Brasil, que além de não recolher alíquota de importação e nem o IPI especial, também não paga (obviamente) despesas de importação: frete (estimado em R$ 1 mil da Europa) e taxas aduaneiras (R$ 3 mil) teria uma margem de lucro ainda maior, de R$ 83,4 mil.

A carga tributária não explica, por si só, os absurdos preços do carro vendido no Brasil, assim como o chamado Custo Brasil – que inclui insumos, energia, logística e demais custos de operação.

 

Ambos – impostos e custos – ampliam o preço final, mas, como já mostramos aqui, é oLucro Brasil o maior responsável pelas distorções de preços no mercado brasileiro.

 

Não há carga tributária ou custo de operação que expliquem uma diferença de preço tão grande. O preço do carro no Brasil é alto em relação aos países do Primeiro Mundo e também em relação aos países subdesenvolvidos.

Veja o comparativo do preço do Toyota Corolla no Brasil, na Argentina e nos EUA, conforme a Acara, a associação dos fabricantes de veículos da Argentina.

 

Toyota Corolla

Nos EUA US$ 15,5 mil

Na Argentina US$ 21,6 mil

No Brasil US$ 37,6 mil

 

 

Veja outros exemplos da grande diferença de preços no Brasil e no exterior:

 

Volkswagen Jetta

No México R$ 32,5 mil

No Brasil R$ 65,7 mil

Mercedes ML

No Brasil R$ 265 mil

Nos EUA R$ 75 mil

Kia Soul

No Paraguai US$ 18 mil

No Brasil US$ 33 mil

 

 

Mesmo carros feitos no Brasil, como o Gol E-Motion, da Volkswagen, é (muito) mais barato no exterior

 

Volkswagen Gol E-Motion

No Chile R$ 29 mil

No Brasil R$ 46 mil

 

 

Gordura pra queimar

 

A indústria argumenta que a margem de lucro é muito pequena. Diz que ganha no volume, considerando todo o catálogo de produtos, mas em alguns casos – como em determinados modelos populares – chegaria a ter prejuízo.

 

As montadoras instaladas no Brasil reclamam, mas quem está fora quer vir pra cá. Cada vez é maior o número de empresas interessadas em atuar no mercado brasileiro, que apesar das crises continua crescendo e tem um potencial que já não existe nos mercados maduros.

E se ganhar dinheiro no quinto maior mercado do mundo, que tem um consumo de 3,5 milhões de unidades é tão difícil, o que essas empresas estariam fazendo em países com mercados infinitamente menores, como Chile, Colômbia, Venezuela?

Mas a necessidade de enfrentar a concorrência leva as montadoras a estabelecer uma estratégia de redução dos preços, o que vem acontecendo nos últimos anos por pressão do mercado.

 

O estudo AutoInforme Molicar mostra que o preço do carro OK está em queda. No ano passado o preço médio do setor de carros e comerciais leves caiu 0,14% e no primeiro semestre deste ano houve mais uma queda, de 3,76%.

 

Mas se a montadora já trabalhava com uma margem apertada, como consegue reduzir o preço final e continua remetendo milhões de dólares para as suas matrizes?

A maioria dos preços dos carros básicos caiu nos últimos anos e nem por isso as fábricas quebraram.

 

A Fiat baixou o preço do Siena EL em R$ 2.850,00 e, obviamente, continua tendo lucro. O Fiesta custava em torno de R$ 41 mil. Com a chegada do JAC J3, que veio com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos, air bag e ABS por R$ 37,9 mil, a Ford abriu mão de R$ 3 mil da margem de lucro: baixou o preço para os mesmos R$ 37,9 mil do JAC. Também nesse caso, mostrou que a margem de lucro poderia ser reduzida, mas se não fosse pressionada pela concorrência manteria o preço. Detalhe: a redução só ocorreu nas duas maiores cidades do País, São Paulo e Rio, onde a concorrência é mais atuante. Nas demais praças, onde a JAC não tem uma atuação agressiva, o consumidor continua pagando pelo Fiesta o preço inchado R$ 41 mil.

A Volks fez a mesma coisa com o Voyage e o Fox, baixando o preço para enfrentar a concorrência, assim como outras marcas.

 

Isso mostra que tem muita gordura pra queimar. Mesmo assim, quando a situação econômica impõe dificuldades, as montadoras pedem socorro e são atendidas pelo governo.

 

Desde a crise em 2008 o Brasil socorreu por duas vezes o setor, abrindo mão de R$ 26 bilhões em impostos. Foram criadas no mesmo período 23,7 mil vagas de trabalho, isto é: o custo de cada vaga foi de R$ 1 milhão em renúncia fiscal. E nesse mesmo período as montadoras instaladas no Brasil enviaram às matrizes no exterior lucro de R$ 14,6 bilhões.

 

http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/yahooColunistas_Conteudo.vxlpub?hnid=46921

Editado por viniciusaleixo
Postado em

É fácil reclamar e não fazer nada, né... Se todos comprassem os modelos mais justos do mercado, o cenário estaria diferente. Mas não, continuam comprando as mesmas bostas porque tem revenda melhor, porque o amigo disse que X marca só dá problema, porque a revisão é 50-100 reais mais barata... Esse é o pensamento do brasileiro comum.

Postado em

É fácil reclamar e não fazer nada, né... Se todos comprassem os modelos mais justos do mercado, o cenário estaria diferente. Mas não, continuam comprando as mesmas bostas porque tem revenda melhor, porque o amigo disse que X marca só dá problema, porque a revisão é 50-100 reais mais barata... Esse é o pensamento do brasileiro comum.

 

então compra seu JAC ai e mete roda 19 que eu to indo lai comprar um voyage completasso (ar, direcao e vidro)

Postado em

é por isso q assim q der to saindo do Brasil

só pra comprar carro lá fora

huahauhauh

 

a propósito

já viram quanto a europa paga pela alimentação deles?

eles tb tão sendo enganados???

Postado em

 

Aí o preço dos usados dispara.... pasmafaute

 

É, aí começa a novela.

 

O preço dos usados sobe, as fábricas precionam dizendo que vão demitir, o povo fica desesperado que vai ficar desempregado, o governo cede e cria umas regrinhas pra favorecer as multinacionais e o fim todo mundo já sabe...

Postado em

Eu tinha um golf 1.6, peguei um 307 top. Hj o golf 1.6 vale mais que o meu 307 rsrsrsrsr, nunca que eu voltaria para o Golf, mas é o mercado que dita o preço.

Postado em

eu to quase chutando o balde pro mercado e comprando um tiida sl at por 51k.

 

Poxa, é um dos melhores custo x benefício hoje, baita negócio sim.

Postado em (editado)

É, aí começa a novela.

 

O preço dos usados sobe, as fábricas precionam dizendo que vão demitir, o povo fica desesperado que vai ficar desempregado, o governo cede e cria umas regrinhas pra favorecer as multinacionais e o fim todo mundo já sabe...

Agora imagine se (milagrosamente), de um dia p/outro, o carro 0km ficasse R$10mil mais barato (por exemplo)... o q aconteceria com os usados? E o q aconteceria com quem tem loja com uns 30 carros usados? Então, vai continuar do jeito q tá mesmo...

Editado por Alves
Postado em

Agora imagine se (milagrosamente), de um dia p/outro, o carro 0km ficasse R$10mil mais barato (por exemplo)... o q aconteceria com os usados? E o q aconteceria com quem tem loja com uns 30 carros usados? Então, vai continuar do jeito q tá mesmo...

O usado só custa muito no Brasil porque o carro é CARO. Veja o modelo de leasing americano como exemplo...

 

Pra mim carro usado deveria valer pouco mesmo, mas os preços dos carros deveriam ser baixo. E, é claro, extinguir a categoria dos compactos populares.

Postado em

O usado só custa muito no Brasil porque o carro é CARO. Veja o modelo de leasing americano como exemplo...

 

Pra mim carro usado deveria valer pouco mesmo, mas os preços dos carros deveriam ser baixo. E, é claro, extinguir a categoria dos compactos populares.

 

Isso seria um tapa na cara das montadoras aqui no Br, infelizmente nunca veremos isso.

Postado em

eu preferia vender meu carro usado para um ferro velho que comprar carro caro do jeito que estamos...

 

deveria ter no país uma campanha a respeito de renovação de frota, acho que se a frota tivesse uns 7 anos (no japão são 3 anos), teríamos menos poluição e menores preços...

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