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[4r]VW Tukan 2027: como a nova picape mudou e foi simplificada em relação à Tarok

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A Volkswagen Tukan está pronta, mas só chegará às lojas no começo de 2027 com a missão de posicionar a fabricante alemã no segmento de picapes intermediárias. Ela é o resultado de mais de dez anos de trabalho dentro da Volks e precisou regredir bastante para fazer sentido e sair do papel.

O ano é 2018. Uma das grandes atrações da Volkswagen no Salão do Automóvel de São Paulo foi a picape conceitual Tarok, que prometia enfrentar a Fiat Toro (lançada em 2015) em pé de igualdade. A picape parecia estar próxima da produção e chegou a ser enviada para os Salões de Nova York e Frankfurt nos anos seguintes, mas nunca saiu do papel.

O projeto original esbarrou em dificuldades financeiras e na falta de espaço fabril na planta de General Pacheco, na Argentina, ocupada por Amarok e Taos. Ainda teve a Covid-19, que ampliou a demanda por picapes, especialmente aquelas com vocação para o trabalho. E a Tarok, que prometia tração integral 4Motion, motor 1.4 TSI e até um acesso da caçamba para a cabine, era sofisticada demais para isso.

Duas picapes Volkswagen, uma amarela e outra azul, estacionadas lado a lado em um mirante com vista para o oceano azul e uma costa rochosa. Pessoas observam a paisagem ao fundo.<span class="hidden">–</span>Divulgação/ Imagem gerada por IA/Quatro Rodas

A solução? Recomeçar o projeto sob outras premissas. O resultado é a Tukan, que é sensivelmente menor, aproveita peças do VW Tera (capô, para-brisa), terá algumas versões espelhadas na Saveiro e uma gama maior de versões e motorizações. Ou seja, é um projeto muito mais pragmático.

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A VW não podia se dar o luxo de desenvolver uma picape só para lazer, com cabine dupla, motor potente e câmbio automático. Por isso a Tukan terá versões capazes de atuar no trabalho pesado feito hoje pela Saveiro, com direito a cabine simples. A linha engloba opções de cabine simples para o trabalho (Robust e Iron) e cabine dupla para o lazer (Extreme), cobrindo uma fatia de consumidores que a Tarok não atenderia pelo preço e a Saveiro, que seguirá em produção, não atende por estar defasada.

Duas picapes, uma branca e outra amarela, estacionadas em um campo de terra batida. A picape branca está à esquerda, de costas, e a amarela à direita, de frente. Ao fundo, árvores e um céu claro com nuvens.VW Tukan terá versões com cabine simples e duplaDivulgação/Volkswagen

A Tukan foi desenvolvida localmente e, em vez de ser fabricada na Argentina (como era a expectativa para a Tarok), será produzida em São José dos Pinhais (PR), junto com T-Cross e Virtus.

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Nova plataforma e tamanho da VW Tukan

Essa mudança de posicionamento reflete-se na arquitetura. Enquanto o projeto de 2018 utilizava uma variação alongada da plataforma MQB, herdada do SUV Taos, a Tukan recorre à base MQB-A0. Ela compartilha sua estrutura com carros menores como Polo, T-Cross, Nivus e o Tera. Essa manobra reduz os custos de desenvolvimento e adequa o preço final ao seu público-alvo.

Picape amarela com teto e detalhes em preto, estacionada em terreno de terra batida, com vegetação e cerca de madeira ao fundo, sob céu com nuvens ao pôr do sol<span class="hidden">–</span>Divulgação/Quatro Rodas

A VW Tukan, aliás, é muito menor que a Tarok. A antiga picape mirava a Toro ao ostentar 4,91 m de comprimento e 2,99 m de distância entre os eixos. A Tukan tem 4,64 m de comprimento, 1,80 m de largura e 2,79 m de entre-eixos, conforme antecipado por QUATRO RODAS. Esse tamanho a posiciona no mesmo patamar de uma Chevrolet Montana, o que facilita manobras e o uso urbano.

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Volkswagen Tarok ConceptVolkswagen Tarok Concept apresentado durante o Salão do Automóvel em 2018Divulgação/Volkswagen

Com tantas medidas de austeridade, soluções inovadoras – e caras – da picape conceitual de 2018 ficaram pelo caminho. A Tarok trazia uma divisória basculante entre a cabine e a caçamba, que ampliava a área de carga de 1,20 m para 1,86 m de comprimento rebatendo os bancos traseiros – o que também é uma solução custosa. A aplicação exigiria alto nível de vedação e reforços para manter a rigidez torcional.

DivulgaçãoProjeto ganhou notoriedade pela modularidade da cabineDivulgação/Volkswagen
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Volkswagen Tarok<span class="hidden">–</span>Henrique Rodriguez/Quatro Rodas

Suspensão simplificada da VW Tukan e foco em carga

A dinâmica e a capacidade off-road também foram deixadas de lado em favor da funcionalidade comercial. A Tarok usava suspensão traseira independente multilink, que entregava muito conforto e aderência, mas pesava no bolso e na balança. Esse conceito de suspensão era fundamental para ter tração integral 4Motion, que transferia torque sob demanda para as rodas traseiras, outro destaque da picape conceitual.

Volkswagen TarokVolkswagen Tarok previa até tração integralDivulgação/Volkswagen
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A Tukan adota eixo rígido e molas semielípticas na traseira. Trata-se de uma arquitetura mecânica inédita na matriz MQB, focada na capacidade de carga e na facilidade de manutenção para frotistas. É exatamente o mesmo conceito que a Fiat Strada, líder entre as picapes compactas, sempre usou. Sua tração, aliás, é apenas dianteira.

O eixo rígido faz as picapes serem mais tolerantes à carga, mas não viabiliza, sozinho, uma capacidade de carga superior. Tanto que a VW Tarok prometia 1.030 kg de capacidade e a Tukan terá, até onde a VW divulga, “mais de 700 kg” de capacidade de carga – a Saveiro carrega até 715 kg na versão cabine simples.

Vista de baixo da traseira de um carro SUV amarelo, mostrando o escapamento, suspensão e pneu com roda cromada. O para-choque traseiro é preto, e o fundo claro revela um horizonte com edifícios distantes<span class="hidden">–</span>Bárbara Lira/Quatro Rodas

O volume da caçamba da Tukan, sim, é bastante superior. São 1.393 l para as versões com cabine simples e 962 litros para as de cabine dupla. A caçamba da Volkswagen Saveiro tem 924 litros na versão de cabine simples e 580 litros na versão de cabine dupla.

A VW Tukan tem freios traseiros a tambor até nas versões de topo. Na Saveiro e na Tarok, há freios a disco nas quatro rodas.

Traseira de uma picape branca com caçamba vazia e aberta, exibindo o revestimento preto. Na lateral, a palavra ROBUST em cinza. Ao fundo, pessoas em um evento, um homem de camisa preta e uma picape amarelaVW Tukan Robust com cabine simplesBárbara Lira/Quatro Rodas

Motores da VW Tukan: híbridos e aspirados no lugar do 1.4 turbo

O trem de força acompanhará a realidade atual, apostando na eletrificação. O conceito da Tarok previa o motor 1.4 TSI flex de 150 cv e 25,5 kgfm. Na Tukan, a expectativa é pelo 1.5 TSI flex da família eTSI Evo2, associado a um conjunto híbrido leve de 48V, mas só nas versões mais caras. Nisto, dá para dizer que a picape definitiva superará o conceito de 8 anos atrás.

VW TAROKVolkswagen Tarok Concept, de 2028Divulgação/Quatro Rodas

As configurações mais baratas da Tukan, aquelas que deverão responder pela maior parcela das vendas, vão recorrer a motores pequenos já consolidados nas ruas. As versões intermediárias adotarão o três cilindros 1.0 turbo flex de 128 cv e 20,4 kgfm atrelado ao câmbio automático de oito marchas. Nas mais básicas, o motor será o 1.6 16V aspirado de 116 cv e com transmissão manual, mesmo conjunto da Saveiro.

Picape amarela Volkswagen Tukan estacionada em um terreno gramado, com montanhas e um rio ao fundo sob um céu claroVW Tukan ExtremeDivulgação/Volkswagen

O que é inegável é que a VW Tukan 2027 terá uma ampla gama de versões, permitindo que seus preços comecem ao redor dos R$ 100.000, como uma Saveiro ou uma Strada, e possam alcançar os cerca de R$ 150.000 das versões intermediárias da Fiat Toro – constantemente vendidas com desconto.

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