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[4r]Investigada pelo governo, Lecar devolve dinheiro de 90% das reservas do híbrido 459

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A fabricante brasileira Lecar iniciou a devolução dos pagamentos referentes às pré-reservas do híbrido Lecar 459. Em entrevista ao Jornal do Carro, Flávio Figueiredo Assis, fundador da Lecar, disse que aproximadamente 90% dos valores já foram reembolsados aos consumidores que haviam aderido ao plano de compra antecipada.

O executivo não dá detalhes sobre a razão da devolução do dinheiro, se os clientes que pediram a reserva de volta ou se foi uma decisão da própria empresa.

Lecar 459Lecar 459Divulgação/Lecar

A decisão ocorre poucos meses depois em que a companhia capixaba passou a ser investigada pelo Ministério da Fazenda e pelo Ministério Público Federal (MPF) sob suspeita de operar um esquema de pirâmide financeira. Uma das bases a acusação era justamente a empresa vender um veículo inexistente, não homologado e que ainda não tinha capacidade de produzir.

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A modalidade de venda adotada pela empresa, batizada de Compra Programada, trabalhava com um contrato de longo prazo, com parcelamento em até 72 meses e isenção de juros. O atrativo principal para o consumidor era a promessa de entrega do automóvel assim que metade do período estipulado fosse quitado.

lecar picapeLecar CampoJoão Vitor Ferreira/Quatro Rodas

O Ministério da Fazenda, no entanto, constatou que a companhia não possui a autorização legal exigida para gerenciar grupos de consórcio ou realizar vendas antecipadas nesses moldes. Um documento elaborado pela Secretaria de Prêmios e Apostas Esportivas aponta indícios de conduta fraudulenta no modelo de negócios.

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Entre os agravantes listados pelo órgão de fiscalização estão a cobrança de taxa de adesão para que participantes atuem como revendedores e o uso de gatilhos de urgência. O relatório também destaca a admissão expressa de que o fluxo de caixa da empresa depende diretamente da entrada de novos pagantes para viabilizar as entregas futuras.

Em sua defesa, Flávio Assis nega qualquer irregularidade e rejeita a tese de esquema fraudulento. O empresário argumenta que a operação comercial sempre foi transparente quanto à atual ausência de instalações industriais e de um produto finalizado. Nas redes sociais, a fabricante publicou uma nota afirmando que não foi notificada oficialmente pelas autoridades e que nenhum cliente registrou queixa de prejuízo financeiro até o momento.

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Trecho da análise do Ministério da Fazenda sobre a Lecar

A procuradoria do MPF em São Paulo, contudo, já solicitou apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para investigar como a empresa pretendia honrar as promessas. O cronograma da fábrica em Sooretama, no Espírito Santo, acumula atrasos e não há prazo para o início das obras.

dongfeng_box_nammi_traseira<span class="hidden">–</span>Dongfeng/Divulgação
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Acordo frustrado com os chineses

A crise de imagem gerada pelas investigações teve reflexos imediatos nos planos de expansão da marca. Uma negociação com a fabricante chinesa Dongfeng foi encerrada recentemente, frustrando o projeto da empresa de importar um carro elétrico no formato white label, onde um produto pronto é vendido sob outra marca.

O modelo escolhido era o hatch elétrico Dongfeng Box, conhecido como Nammi 01 no mercado asiático, que seria rebatizado e vendido no Brasil como Lecar Pop. A montadora asiática classifica os contatos apenas como conversas preliminares que não evoluíram após análises internas de estratégia.

Assis, por outro lado, confirma que o recuo chinês ocorreu pela perda de confiança no projeto após a repercussão negativa na mídia nacional. Com o fim do acordo de importação, o foco atual da companhia volta a ser a promessa de desenvolver internamente um propulsor híbrido nacional e a picape Lecar Campo, mas ainda sem garantias financeiras concretas de execução.

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