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[4r]Clássicos: Toyota Bandeirante Picape desbravou o Brasil com motor Mercedes

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Produzido no Brasil de 1962 a 2001, o Toyota Bandeirante é um utilitário que descende do Toyota BJ japonês, que a partir de 1951 transportou as tropas norte-americanas durante a Guerra da Coreia.

FLP7635.jpgO Bandeirante pouco mudou em quase 40 anos de produçãoFernando Pires/Quatro Rodas

O conflito exigiu o desenvolvimento em tempo recorde de um veículo militar similar ao Jeep, mas sem as restrições de peso e porte impostas ao veterano da Segunda Guerra Mundial.

Derivado dos caminhões Toyota, o BJ demonstrou grande potencial para o mercado civil, motivo pelo qual sua produção foi mantida após o armistício de 1953.

FLP7670.jpg<span class="hidden">–</span>Fernando Pires/Quatro Rodas

Denominado Land Cruiser, ele começou a ser exportado para o mundo todo e em 1955 as primeiras unidades chegaram ao Brasil, importadas e montadas pela Sociedade Comercial Arpagral Ltda.

A demanda pelo utilitário viabilizou a instalação da filial brasileira da Toyota em 1958, responsável pela montagem do Land Cruiser em um galpão no bairro paulistano do Ipiranga.

A produção nacional teve início em 1962, com a inauguração da fábrica em São Bernardo do Campo (SP), a primeira fora do Japão. A partir daí, o Land Cruiser passou a se chamar Bandeirante.

FLP7752.jpgApesar da boa ergonomia, sua dirigibilidade é cansativaFernando Pires/Quatro Rodas

As carrocerias eram produzidas pela Brasinca, e o motor OM-324 de quatro cilindros 3,4 litros e 78 cv fornecido pela Mercedes-Benz substituía o motor 2F de seis cilindros a gasolina, feito sob licença da General Motors. Novas variações surgiram: jipe com capota de aço, perua com maior distância entre os eixos e uma picape.

A transmissão manteve o padrão do Toyota BJ: caixa de transferência simples, sem reduzida. Para compensar o câmbio de quatro velocidades tinha a primeira marcha extremamente curta: sem carga, o Bandeirante saía da imobilidade em segunda.

Os engates eram favorecidos pela embreagem hidráulica e pela sincronização da terceira e quarta marchas.

FLP7758.jpgPainel minimalista trazia apenas instrumentos essenciaisFernando Pires/Quatro Rodas

O Bandeirante era um utilitário naturalmente vocacionado para o trabalho: levava quase meio minuto para chegar aos 100 km/h e não ia muito além disso, limitado pela relação final curta.

O ideal é não ter pressa: freios a tambor nas quatro rodas sem assistência e pesados eixos rígidos exigem atenção constante do condutor.

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Primeiro comercial leve movido a diesel no Brasil, o Bandeirante era fumacento e barulhento. Seu nível de vibrações era superior ao dos concorrentes com motores de seis e oito cilindros a gasolina, muito populares naqueles tempos de combustível com oferta farta e barata.

A durabilidade e a capacidade de trafegar em qualquer terreno ficavam em segundo plano.

FLP7739.jpg<span class="hidden">–</span>Fernando Pires/Quatro Rodas

A Toyota estava prestes a encerrar suas atividades no Brasil, quando um incêndio de grandes proporções atingiu o setor de pintura da vizinha Volkswagen, em dezembro de 1970.

A pintura de Fuscas e derivados garantiu uma bem-vinda receita à operação brasileira da Toyota, que ganharia novo fôlego até a primeira crise energética, em 1973.

Em 1973, o Bandeirante recebeu o motor Mercedes-Benz OM-314, com 3,8 litros e 85 cv, o que foi essencial para que a produção da Toyota quase quintuplicasse na virada para a década de 80.

A caixa de transferência com duas velocidades veio em 1981, junto do câmbio totalmente sincronizado e do sistema de freios com hidrovácuo.

FLP7727.jpgO motor Mercedes-Benz OM-314 foi usado por mais de 15 anosFernando Pires/Quatro Rodas

Em 1983, chega a picape de chassi longo, com cabine simples ou dupla. Em 1985, o Bandeirante passa a oferecer opcionais até então inéditos como rádio, direção hidráulica e ar-condicionado.

Em 1989, vieram faróis retangulares e o motor Mercedes-Benz OM-364, com 4 litros e 90 cv. Freios dianteiros a disco e câmbio de cinco marchas foram as maiores novidades de 1993.

O ano seguinte marcou a chegada do motor Toyota 14B de 3,7 litros e 96 cv. Em 1999, a picape cabine dupla finalmente passou a contar com quatro portas.

FLP7651.jpgA picape representou uma parcela expressiva das vendasFernando Pires/Quatro Rodas

O Bandeirante virou o milênio, mas não foi muito além: incapazes de atender normas de emissões, os últimos exemplares deixaram a fábrica de São Bernardo do Campo em novembro de 2001, totalizando 103.750 unidades produzidas em quase 40 anos.

A maior parte continua em atividade no trabalho ou lazer e já são muito valorizados como veículos de coleção.

FLP7718.jpgUm fora de estrada raiz, com 4×4 parcial e robustas rodas livres de acionamento manualFernando Pires/Quatro RodasFLP7750-e1653598968507.jpg<span class="hidden">–</span>Fernando Pires/Quatro Rodas

Ficha Técnica

Toyota Bandeirante OJ55LP-B 1981
Motor: longitudinal, 4 cilindros em linha, 3.784 cm³, comando de válvulas simples no bloco, alimentação por bomba injetora Potência: 85 cv a 2.800 rpm
Torque: 24 kgfm a 1.800 rpm
Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira (4×2) e nas quatro rodas
Carroceria: fechada, 2 portas, 3 lugares
Dimensões: comprimento, 490 cm; largura, 166,5 cm; altura, 195 cm; entre-eixos, 295 cm; peso, 1.830 kg
Pneus: 6,70 x 16

Teste

ed-0218_pag-001.jpg<span class="hidden">–</span>Reprodução/Quatro Rodas

Setembro de 1978

ACELERAÇÃO: 0 a 100 km/h, 29,07 s
VELOC. MÁX.: 106,66 km/h
CONSUMO: 7,62 a 9,98 km/l
PREÇO: Cz$ 627.720 (janeiro de 1981)

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