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[4r]Geely pode repetir manobra feita no Brasil e assumir parte da Ford na Espanha

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O possível acordo entre Geely e Ford para a venda de parte do complexo industrial de Valência, na Espanha, marca uma nova fase da instalação de marcas chinesas no mercado europeu. A fabricante asiática negocia a compra de alas desativadas da linha de montagem para iniciar a produção local de veículos elétricos e híbridos.

A movimentação atende a uma demanda puramente financeira, já que produzir na Europa permite à Geely contornar as novas sobretaxas de importação impostas pela União Europeia aos carros enviados da China. É a mesma estratégia assumida pela Geely no Brasil, onde o conglomerado chinês se tornou sócio da Renault do Brasil ao comprar 26,4% das suas operações.

Para a Ford, a venda resolve de imediato o problema da ociosidade fabril. O complexo espanhol, inaugurado em 1976, já foi responsável por montar 300.000 unidades anuais em sua fase de maior demanda, produzindo modelos como Escort, Mondeo e o antigo Fiesta. Atualmente, a unidade opera muito abaixo da capacidade, fabricando apenas o Ford Kuga.

A negociação envolve o setor chamado Body 3, uma das áreas mais modernas da planta, mas que encontra-se sem uso. Com a venda, as duas fabricantes operariam de forma independente no mesmo terreno. Isso permite a divisão dos custos operacionais do complexo, que hoje emprega pouco mais de 4.000 funcionários, evitando demissões em massa e dando sobrevida à instalação.

Arquitetura chinesa

Geely EX2 ProGeely EX2 ProFernando Pires/Quatro Rodas
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A ofensiva da Geely na Espanha será baseada na plataforma modular GEA (Global Intelligent Electric Architecture). Trata-se de uma base flexível que suporta conjuntos elétricos ou híbridos plug-in. O primeiro modelo a sair das linhas espanholas deverá ser o Geely EX2, conhecido no mercado chinês como Xingyuan. Este é o carro mais vendido da Geely no Brasil e também será nacionalizado.

Com 4,13 m de comprimento, o hatch elétrico tem porte semelhante ao de um Volkswagen Polo. O conjunto mecânico focado no custo-benefício oferece opções de baterias de 30,1 kWh ou 40,1 kWh. O motor elétrico, sempre montado no eixo traseiro, entrega duas opções de potência: 79 cv nas versões de entrada e 116 cv nas configurações superiores. No Brasil, o modelo é vendido apenas com 116 cv.

Um novo Fiesta elétrico?

A contrapartida técnica do negócio para os americanos envolve o compartilhamento dessa arquitetura chinesa. A base do EX2 serviria para a criação de um novo modelo de acesso da Ford, preenchendo a lacuna deixada pelo fim do Fiesta a combustão ou até mesmo uma nova geração do Ford Puma elétrico.

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O compartilhamento reduz drasticamente os custos de desenvolvimento da Ford. Isso permite que a marca tenha um produto viável para enfrentar a nova geração de compactos elétricos, como o futuro Volkswagen ID.2, o Renault 5 e o BYD Dolphin. Executivos de ambas as empresas tratem a negociação publicamente como especulação.

Ao jornal espanhol La Tribuna de Automoción, a Ford descartou as especulações: “Estamos constantemente em negociações com diversas empresas sobre vários assuntos; às vezes essas negociações acontecem, às vezes não. Nada é definitivo.” Um porta-voz da Geely Europe também fez uma declaração semelhante à revista Automobilwoche, afirmando que “não comentam especulações”. No entanto, a mesma revista afirmou que “entre os especialistas do setor, o acordo é considerado praticamente fechado”.

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