Obrigado pela lembrança, Moti! Vc tirou essa do fundo do baú! Ainda mais quando não estamos acostumados a homenagens ao passado.
Para quem não acompanhou aquela época, talvez seja legal saber que existiam carros que mesmo hoje seriam considerados "monstros".( Reparem que no Auto Esporte Expo Show deste fim de semana carros com 4 a 6 subs fizeram um baita sucesso na área de exposição de SPL e não dá para comparar com o resultado que carros como a Blazer atingiam com as portas abertas.)
Foi uma época onde ainda estávamos aprendendo a teoria dos carros de SPL.
Claro que as coisas evoluem e não se pode comparar épocas diferentes. Hoje, a marca da Blazer é feita facilmente com um sub de 8". Tudo uma questão de alinhamento, travamento, alimentação e potência. Mas, na época, o recorde mundial era aprox.160dB e o resultado foi muito comemorado e impressionou bastante, principalmente por ter sido alcançado com produtos Pyramid, numa época em que Kicker, JL Audio e Fosgate mandavam no mercado.
Mas, apenas quem conheceu sabe a pressão real que é gerada por 56 subs em pouco mais de 1 metro cúbico (volume da cabine). O carro trincava nas emendas, as parafusos do volante Momo desenroscavam e o volante caía no assoalho. Não tem nada a ver com a pressão dos 154dbs gerados por um sub alinhado para o sensor de SPL.Não se utilizava frequências e sim os "discos de grave" e os carros tocavam música. Enfim, 17 anos se passaram...
Tive o prazer de conhecer essa semana o Alan Dante, um cara muito legal, um mestre na construção de carros de SPL e ex-recordista mundial. Fiquei muito lisonjeado em ouvir dele que a Blazer foi um dos carros que o inspiraram a seguir seu vitorioso caminho no SPL. Externou seu respeito pela galera "old school" que deu o pontapé inicial. Ele inclusive disse ter certeza de que os carros da época atingiriam marcas mais altas se fossem medidos com os sensores atuais, pois acredita que os microfones da época não tinham capacidade para medir aquele nível de pressão sem clipar.(Palavra de recordista mundial...)
Respondendo ao amigo Kleberlpa, que não entendeu muita coisa, a questão da "estabilidade" era o seguinte: como a pressão interna era muito alta e os cones dos subs eram de papelão, acreditávamos que cones menores sofreriam menos deformação quando submetidos a tamanha pressão, e o sub trabalharia de forma mais linear e "estável". (Na época alguns competidores chegaram a tentar reforçar os cones de seus subs com fibra de vidro, mas o aumento de peso do cone diminuia demais a sensibilidade do sub e as marcas caíam. ) Lembrem-se que na época não tínhamos subs específicos para SPL à disposição.
Quanto a "maior area de cone" era o seguinte usando subs de 10", cabiam 56 subs. Se fossemos usar subs de 12", caberiam apenas 36. Os 56 subs de 10" proporcionaram mais área de cone do que conseguiríamos com 36 subs de 12". Sem contar que em 56 subs pudemos despejar a potência de 14 amplificadores, e se fossem 36 de 12" poderíamos usar apenas 9. Um ganho de 56% na potência aplicada e de 8% na area de cone. (Na época ligávamos os amplificadores dentro das especificações técnicas de manual porque os carros tocavam música e tinham que funcionar por horas e não apenas por 3 segundos.)
Outra coisa legal é o fato de na época existir preocupação com acabamento, coisa que deixou de ser importante logo depois.
Foi o projeto de um apaixonado não apenas por SPL, mas também por carros e música e, apesar de ser uma coisa da época e hoje ter virado uma "peça de museu" (kkkk), foi um momento muito feliz da minha vida que agradeço demais ao Moti por ter me relembrado. (Tava me achando... kkkk)
Abraço a todos,
Thiago Volpe