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Caixa selada triangular

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Postado em

Tava pensando em fazer uma caixa selada triangular ao invez de quadrada, isso eh muito ruim ? ou so importa o Volume dela ?

 

Alguem ja pensou a respeito ?

Postado em

A minha era triangular.

O importante é o volume e isso fica mais difícil de calcular. Teoricamente ela teria vantagem por não ter paredes paralelas e acho que fica um pouco mais firme se bem feita.

Postado em
A minha era triangular.

O importante é o volume e isso fica mais difícil de calcular. Teoricamente ela teria vantagem por não ter paredes paralelas e acho que fica um pouco mais firme se bem feita.

Qual carro voce tinha essa triangular instalada ?

 

tava pensando de colacar essa triangular no gol e usar as laterias pra colocar os dois amps que sao meio grandinhos :)

 

por isso tem o outro topico de fixar os amps na caixa ;)

 

Fica mais facil de fazer que moldar uma fibra pra lateral sp pro Sub, mais um rack pros amp.

Postado em

Faz diferença sim. Tem posts antigos que falam disto. O post foi escrito por AndréLima. Este post fala sobre como montar caixas acústicas, diferenças de materiais utilizados e de formatos.

Postado em
nao to achando golo...

vou postar aqui então, tenho em arquivo no computador, mas LEMBREM-SE quem postou isto foi o AndréLima (que sabe muito) e não eu.

Eu não sei muito como colocar o aquivo inteiro, então ele vai ficar meio quebrado.

 

Introdução

 

 

O tipo de sonofletor mais usado hoje em dia é, sem sombra de dúvida, composto por um falante de bobina móvel colocado em uma caixa normalmente construída em madeira e em forma de paralelepípedo.

 

Considerando o esforço para a produção de sempre melhores falantes e projetos mais adequados, é surpreendente a relativa falta de literatura sobre os materiais mais convenientes para os recintos acústicos e o formato e a disposição dos falantes para um projeto de construção.

 

Será realmente a madeira o melhor material do ponto de vista acústico? Qual tipo deve ser usado, compensado, aglomerado, ou outro? Qual a espessura de madeira mais apropriado, o melhor formato da caixa, onde e porque colocar reforços internos - estas e outras perguntas surgem naturalmente na procura da construção de um bom sonofletor.

 

O que faremos a seguir será procurar fornecer um panorama dos principais aspectos envolvidos no papel que cumpre o recinto de um sonofletor, de forma a poder fornecer ao experimentador um guia, e ao técnico mais experiente, a oportunidade de refrescar as idéias sobre esse assunto.

 

 

 

O recinto acústico

 

Comecemos definindo para que serve a caixa acústica: sua função básica consiste em isolar as ondas de pressão sonora que partem da parte traseira do falante de forma que estas não interfiram descontroladamente com aquelas emitidas pela parte frontal. Em uma caixa fechada estas ondas traseiras devem ser completamente absorvidas pelo interior da caixa. Em um refletor de graves as radiações internas deverão, através da ação de um pórtico e da massa de ar interna, exercer uma influência positiva sobre as ondas fronteiras principalmente nas oitavas mais baixas do espectro audível.

 

Para um sistema de caixa aberta (“open baffle”) as paredes necessitam ser suficientemente grandes de forma a encompridar o caminho que terá de ser seguido pela radiação traseira até ela chegar a se encontrar com as ondas emitidas frontalmente.

Já para um sistema de corneta as paredes necessitam serem rígidas o suficiente para guiarem o caminho das ondas sonoras.

 

Portanto para qualquer sistema usado há um papel importante a ser desempenhado pelas paredes do recínto acústico. Naturalmente para cumprir com perfeição o seu papel o sonofletor deverá possuir como única fonte de som a membrana do falante ( no caso do refletor o pórtico também é emissor de som). Neste sentido as paredes da caixa devem teoricamente permanecer totalmente imóveis, sem ostentar vibrações e com isolamento perfeito às radiações sonoras internas.

 

Infelizmente não existe na natureza um material que reuna todas as condições requeridas para tanto, portanto será necessário tolerar um pouco de vibração e também vazamento de som para o exterior através das paredes da caixa.

 

Quanto podemos tolerar? Um critério a ser seguido é o de que não será sentido este efeito se a alteração da pressão sonora sentida pelo ouvinte for inferior a um decibel. Apesar do que possa parecer, este é um critério um tanto rígido, como veremos adiante.

 

Além da vibração dos painéis em ressonância com o falante, outra fonte de distorção consiste no armazenamento e liberação de energia fora de fase através das paredes da caixa. Isto acontece pela elasticidade natural do material usado, geralmente madeira, que tende a permanecer vibrando mesmo após a cessação do movimento da diafragma do falante, seguindo atrás da primeira frente de onda com um defasamento de alguns milissegundos, porém não se integrando auditivamente a ela.

 

Observe este efeito na figura l, que mostra como um impulso, quando aplicado a um sonofletor no tempo t=0, provoca uma resposta inicial com uma onda senoidal amortecida, cujos efeitos notam-se em até dois milissegundos após e prolongam-se com efeitos secundários além. A percepção auditiva deste fenômeno corresponde nos graves a um som ressoante e descontrolado, e nos médios a uma espécie de eco desagradável que borra a voz humana.

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Postado em

Para a eliminação deste efeito é importante o amortecimento dos painéis de forma a promover a absorção da energia acústica íncidente internamente, transformando-a em calor.

 

Uma parede bem amortecida pode ser constatada facilmente ao bater com força usando os nós dos dedos: o som produzido deverá ser seco, morto.

 

Portanto são duas as características desejáveis: rigidez e amortecimento.Uma caixa construida com um material que ofereça somente uma destas características não cumprirá o seu objetivo. Por exemplo, um painel de papel oferece bom amortecimento porém não representa obstáculo sensível às ondas sonoras; inversamente uma parede de aço oferecerá bom impedimento às ondas sonoras ínternas, mas não as absorverá, reemitindo-as com retardo de fase e causando uma distorção desagradável

 

 

 

Comportamento acústico de painéis

 

 

A parede de uma caixa acústica constitui-se basicamente em um painel possuindo massa e rigidamente preso em suas extremidades. A parede assim construida apresenta uma série de frequências de ressonância, constituídas por uma fundamental seguida por outras ondas de maior frequência e menor amplitude, geralmente não relacionadas harmonicamente entre si.

 

Conforme mostrado pela teoria de Thiele-Small, nos trabalhos relacionados nas referências (1, 3, e 7), um sistema acústico oscílante pode ser simulado por meio de um circuito análogo constituido de componentes elétricos.

 

A figura 2 mostra como seria o aspecto de um circuito análogo construido para simular uma caixa fechada que possua paredes não ideais, isto é, não completamente rígidas. A inércia equivalente da massa destas paredes é dada pela indutância Mw, a compliância equivalente é dada por Cw, e Rw representa as perdas por amortecimento dos paineis. Cb representa a compliância acústica do ar interno ao sonofletor e Rr a resistência equivalente do ar fronteiro ao diafragma e paredes do sonofletor.

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Postado em

Para frequências abaixo da ressonância fundamental do sistema o valor Cw da compliância torna-se predominante, portanto adquirindo maior importância a rigidez dos paineís - quanto mais rígidos estes forem, menor será a perda em frequências baixas por transmissão ao exterior.

 

Na frequência de ressonância fundamental a compliância Cw anula-se numericamente considerando-se o valor da massa inercial Mw, sendo o amortecimento Rw o fator predominante no comportamento acústico da caixa nesta frequência e ditando a qualidade auditiva do sonofletor nesta região,

 

Acima e além da ressonância, para as frequências mais elevadas do espectro, a massa Mw torna-se o elemento predominante e surgem vários outros pontos de ressonância secundários. Isto acontece devido ao fato de que os painéis deixam de comportar-se como corpos rígidos e passam a vibrar em diferentes direções aleatoriamente.

 

Ou seja, na ressonância fundamental as paredes do sonofletor vibram como corpos rígidos (vibração unimodal síncrona) e nas ressonâncias secundárias como corpos não rígidos (vibração multimodal assíncrona).

 

Resumindo o principal destas considerações, podemos ter em mente o fato de que para um bom comportamento a caixa acústica deve ser absolutamente neutra, ísto é, apresentar alta absorção interna e amortecimento adequado nos painéis, principalmente na frequência de ressonância fundamental, bem como possuir paredes extremamente rígidas acima do ponto de ressonância. Isto assegurará a não-interferência em frequências baixas e o bom amortecimento acima da ressonância.

 

 

 

Considerações sobre materiais

 

 

A amplitude das flexões das paredes da caixa dependerá em grande parte da espessura e densidade do material usado. A figura 3 mostra a densidade de diversos materiais que podem ser usados para construção de sonofletores. As propriedades de alguns desses materiais serão objeto de nossa discussão.

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Postado em

Madeira

 

Tradicionalmente este é o material mais usado, devido à facilidade de obtenção, conveniência para qualquer tipo de corte, bom acabamento e principalmente, custo relativamente baixo.

 

A madeira é geralmente empregada em forma de compensado, aglomerado, ou mais raramente, em forma maciça.

 

O compensado, encontrado em chapas de l5mm, 18 mm, e 25 mm, tem custo mais alto, porém é de corte fácil e apresenta bom aspecto quanto a acabamento. Normalmente, para caixas abaixo de vinte litros pode ser empregado em espessura de 15 mm; para volumes entre vinte e cinquenta litros o de 18 mm é o indicado; e acima de cinquenta litros torna-se conveniente o emprego do de 25 mm. É interessante usar o tipo de compensado conhecido como marítimo, ou naval, formado por sete a nove camadas de laminados. Este apresenta maior resistência à flexão que o comum, dito sarrafado, formado por apenas três camadas.

 

O aglomerado, encontrado nas mesmas espessuras que o compensado, é a mais densa e barata das madeiras. Um aglomerado de boa qualidade, que possua uniformidade , boa consistência e que não contenha porosidades, pode apresentar um desempenho acústico razoável, não surpreendendo portanto que este material esteja ganhando o favor dos construtores em relação ao compensado.

 

O aglomerado, da mesma forma que outras madeiras, pode ser encontrado em várias qualidades. Os melhores são reconhecidos por serem formados por uma massa muito fina e homogênea, mesmo em seu interior.Para reconhecê-los deve-se partí-los e examinar a sua constituição interna: se forem formados por pedaços (lascas) de madeira, são pouco rígidos e é melhor evitá-los, devendo-se, para melhores resultados, dar preferência aos mais densos.

 

Concreto e mármore

 

Um painel realizado em concreto ou mármore praticamente não ostenta ressonâncias, neste sentido estes são os melhores materiais disponíveis.

 

Naturalmente caixas empregando tais materiais são de dificíl construção e praticamente impossivel industrialização, porém poderão ser feitas especialmente, e em geral, no próprio local de uso.

 

Neste sentido, sem dúvida a melhor caixa que poderá ser feita será durante a própria construção de uma habitação empregando-se como panéis paredes sólidas de tijolo e cimento. Um sonofletor desse tipo é particularmente indicado para subwoofer ou para sistema de corneta (horn-loaded), tornando-se imbatível quanto à qualidade sonora.

 

Como alternativa o uso de mármore ou granito é bastante satisfatório, porém tais caixas dificilmente poderiam ser chamadas de portáteis.

 

Outros materiais

 

No mundo inteiro os fabricantes continuamente pesquisam novos materiais que apresentem qualidades acústicas positivas aliadas a baixo preço. Pequenos sonofletores de alumínio, ou outros metais já são comumente encontrados em sonofletores “high-end”. Certos plásticos (resinas de poliéster ) misturados a pós minerais deverão ser extensamente usados por suas qualidades de amortecimento e leveza.

 

 

 

Técnicas de construção

 

 

Além do material usado nos painéis a técnica de construção influi preponderantemente no amortecimento das pressões sonoras geradas internamente.

 

Vamos tratar a seguir dos principais meios a serem usados para controlar o efeito de três fenômenos: ressonâncias internas, amortecimento dos painéis e absorção interna.

 

Ressonâncias internas

 

Como já dito anteriormente, um painel plano preso nas extremidades apresenta modos de vibração definidos, dentre outros fatores, pelo seu formato geométrico. Este é o caso de praticamente a totalidade dos sonofletores comerciais.

 

Estes modos de vibração dependem também das dimensões dos paineis. É conveniente que cada parede do sonofletor apresente modos fundamentais de ressonância em frequências diferentes; caso contrário estas paredes, ressoando à mesma frequência, produzirão um resultado bastante pernicioso pela somatória de efeitos. Fica claro portanto que o pior formato para uma caixa é o cúbico, por apresentar seis paredes absolutamente iguais.

 

Adotando-se formatos retangulares e empregando-se proporções diferentes entre altura, profundidade e largura obtém-se bons resultados, minimizando este efeito.

 

Outra forma de deslocar a ressonância de um painel consiste em reforçá-lo com escoras apoiadas e firmemente coladas em sua superficie. Uma escora rígida, sendo um ponto de apoio fixo, divide acusticamente o painel em duas partes, diminuindo a amplitude da ressonância e doslocando-a para frequências maís elevadas. Experiencias demonstraram que o meio mais efetivo no emprego de escoras consiste em colocá-las fixas longitudinalmente, paralelas às dimensões maiores do painel que se deseja reforçar. A figura 4 ilustra uma experiência relatada na referência (2)

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Postado em
 

Nesta experiência, vários paineis iguais receberam escoras em suas faces e foram medidas as frequências de ressonância dos mesmos.

 

Repare que a colocação conforme e) corresponde à maior frequencia e menor amplitude de ressonância.

Isto ocorre, pois o painel com a escora colocada, passa a comportar-se como se fosse duas paredes independentes, sendo que a posição longitudinal define duas superficies com dimensões bastante diversas entre si, elevando a frequência de ressonância e diminuindo a amplitude.

 

É interessente não posicionar a escora diretamente no centro da parede, mas sim deslocada em relação a um dos lados para definir frequências diferentes para cada seção.

Observe que para maior eficácia do processo a escora deve ser muito rígída, com espessura iqual ou maior que a da própria parede.

 

Amortecimento dos painéis

 

 

Quanto mais amortecimento possuir o material com que será feito o painel , melhor será o comportamento do sonofletor nas frequências próximas à ressonância.

 

A figura 5 mostra como a espessura de um painel de compensado afeta os modos de ressonância do sonofletor. É importante notar que a amplitude das ressonâncias do painel (linhas pontilhadas) é bastante alta e chega a ser comparável com as vibrações emitidas pelo falante (linha cheia).

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Postado em

Isto indica que praticamente toda a energia incidente nas paredes do sonofletor é refletida de volta e mostra a importância de adicionar-se ao painel algum tipo de substância que ofereça alto amortecimento e absorva esta energia.

 

Diversas experiências sobre o assunto, relatadas nas referências (2) e (3) sugerem o emprego de compostos de borracha, asfalto e materiais semelhantes Estes tipos de materiais, de alta resiliência, possuem em elevado grau a propriedade de transformar através do atrito interno a energia cinética recebida em calor, dissipando-a rapidamente. A experiência do Autor (referência 4), indica o emprego de compostos tipo massa anti-ruído, normalmente empregada para proteção e eliminação de vibrações em automóveis. Este material deve ser aplicado abundantemente nas paredes internas do sonofletor, de forma a recobrí-las totalmente.

 

Para obter um efeito de diminuição da frequência fundamental de ressonância, abaixando o conjunto das vibrações indesejáveis, a massa anti-ruído pode ser colocada juntamente com cerâmica (lajotas tipo piso hidráulico), dispostas lado a lado, cobrindo completamente os painéis.

 

Normalmente faz-se a aplicação de uma camada de meio centímetro de espessura de massa, seguida da colocação da cerâmica. Após a secagem, que leva de dois a três dias, deve-se aplicar outar camada de massa. Alternativamente, em lugar de cerâmica, uma peça de borracha densa pode ser empregada, proporcionando também bons resultados.

 

Outro tipo de aplicação possível é o de massa asfáltica betuminosa. Esta pode ser impregnada em mantas de algodão, que serão coladas na superfície interna dos painéis. A figura 6 mostra o efeito de aplicações desse tipo em um painel de nove milímetros de espessura - a amplitude das ressonâncias diminuiu em 10 dB e a fundamental baixou em frequência.

 

 

 

 

Embora o uso de asfalto seja do ponto de vista teóríco melhor, na prática é bastante inconveniente, ainda mais em nosso clima tropícal, em que as altas temperaturas são comuns e esse composto tende a tornar-se instável.

 

Uma boa alternativa é o uso de mantas prontas, como as vendidas para “guarda-pós” de caminhões. Essas mantas, já em tamanho bem conveniente, são compostas por papelão tratado com composto betuminoso, e adequadas ao uso para absorção acústica.

 

 

Absorção interna

 

Duas superficies paralelas quaisquer são origem de ressonâncias parasitas através da formação de ondas estacionárias. Estas ondas estacionárias, de frequência e amplitude dependentes da distância entre essas paredes são responsáveis por uma coloração bastante peculiar.

 

Há várias maneiras de evitar este efeito. Uma forma consiste no emprego de superfícies não-paralelas, por exemplo através do uso de caixas cilíndricas, ou usando formatos não-regulares, como um tronco de pirâmide,etc.

 

Um painel frontal inclinado, além de facilitar a redução desse efeito, pode dar um efeito estético diferente ao sonofletor.

 

Se for realmente necessário o uso de formas retangulares, é conveniente calcular as medidas dos painéis, de maneira a distribuir as frequências das ondas estacionárias. Uma relação entre comprimento, altura e profundidade consagrada pelo uso e que determina a mínima excitação das estacionárias vem da relação do segmento áureo da geometria:

 

 

 

 

2,6 para 1,6 para 1,0

 

 

 

Mesmo com medidas como estas, não-harmonicamente relacionadas entre si, ainda permanecem ressonâncias internas apreciáveis no sonofletor. Para reduzir ainda mais este efeito e aumentar a absorção interna da caixa são usados materiais fonoabsorventes, tais como mantas de lã de vidro, algodão ou 1ã de rocha. Com o emprego desses materiais, parte da radiação traseira do falante é absorvida e em consequêncía é reduzida a amplitude das ondas estacionarias.

 

No entanto, a aplicação de materiais absorventes só é realmente eficaz quando estes são colocados nos pontos em que a velocidade do ar seja alta, em outras palavras, nas proximidades do centro geométrico do volume encerrado pelo sonofletor.

 

Um meio prático de conseguir isto, é dispor o material absorvente em forma de manta e enrolado em hélice (helicoidalmente) ao longo do eixo longitudinal da caixa acústica. A manta deve possuir uma espessura de pelo menos cinco centímetros e ser cortada com sua menor dimensão igual a diagonal da base do sonofletor e a altura igual a uma vez e meia o comprimento da caixa.

Na colocação torcer a manta em torno de si mesma de forma a manter os lados menores com defasagem entre 90 a 180 graus. Nesta posição a manta será colocada no sonofletor e ocupará praticamente todo o volume interno deste.

 

Ressalte-se que a colocação deste tipo de material ao longo dos painéis internos, como usualmente recomendado, é pouco eficaz, pois na superfície interna das paredes predominam ondas de alta pressão e velocidade nula. Um material de pouca massa e baixa rigidez, como essas mantas é pouco apropriado para absorver as ondas de pressão características desses pontos.

 

Resumindo: ao longo dos painéis a pressão originada pelas partículas de ar é alta,e a sua velocidade zero - o melhor material a ser empregado deve possuir rigidez e ostentar boa massa. No interior do volume do sonofletor a velocidade das partículas de ar alta e a pressão baixa - o melhor material a ser usado deve ter pouca massa e ser bastante absorvente.

 

 

Considerações gerais

 

Difração

 

As ondas sonoras são sujeitas ao fenômeno da difração ao transporem obstáculos ou irregularidades em superfícies que sejam de dimensões semelhantes ou menores que o seu comprimento de onda. É devido à difração que as baixas frequências são praticamente omnidirecionais. Para as frequências mais altas este fenômeno pode ou não ocorrer, o que ocasiona irregularidades na resposta do sonofletor.

Em alguns casos pode ser necessário evitar a difração, em outros pode-se tirar partido dela, dependendo das intenções do projetista.De qualquer forma, como este é um fenômeno associado às dimensões geométricas, torna-se de grande importância analisar o formato da superfície em que serão posícionados os reprodutores de médios e agudos.

 

A figura 7 mostra uma clássica experiência (referência 5), para a qual foram colocados falantes na face de sonofletores de doze formatos diferentes. Em cada caso foram traçadas as curvas de resposta em frequência e comparadas entre si. Apesar do sinal de teste dos falaates serem absolutamente iguais, variando somente o formato das caixas, o efeito da difração que ocorre ao redor dos contornos dos painéis das caixas provoca irregularidades pronunciadas para a maioria destas.

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Postado em

Note que as respostas mais suaves são pertencentes àquelas em que a frente do sonofletor apresenta cantos menos pronunciados, portanto oferecendo obstáculos menos "vivos" às ondas sonoras de frequências mais altas.

 

Uma outra maneira de suavizar a resposta evitando em parte a dífração consiste em dispor os falantes assimetricamente em relação aos bordos de painel frontal. Esta medida impõe que uma onda sonora, ao atingir cada uma das arestas do sonofletor, haja percorrido um camiho ligeiramente mais curto ou longo, distribuindo no tempo os efeitos da difração e evitando a somatória de efeitos.

 

Portanto, se não for possível evitar cantos vivos no sonofletor, e isto pode não ser fácil, por problemas de execução ou estética, uma vez que o método exige contornos muito suaves, arredondados mesmo, é conveniente procurar posições assímétricas para os falantes, colocando-os o mais possível faceados na superfície do painel frontal, evitando qualquer irregularidade no caminho das ondas acústicas.

 

Telas

 

Quanto ao uso de telas frontais, a melhor atitude consiste em simplesmente não usá-las.

 

As desvantagens das telas do ponto de vista acústico são muitas: provocam absorção das frequências mais altas, são uma fonte potencial de difração devido à forma de montagem e fixação, refletem parcialmente algumas frequências ressoando junto com o próprio painel, podem obstruir os movimentos do falante de graves.

 

Se o uso de uma tela for absolutamente indispensável, para oferecer maior proteção aos falantes, alguns cuidados são necessários. A tela deverá ser de trama aberta e leve, para evitar ao máximo a absorção de agudos e/ou sua reflexão; seu posicionamento em relação ao painel frontal deve ser bem calculado pois quando muito próxima a este, pode ser atingida pelo cone do woofer em seu deslocamento máximo.

 

Montagem dos falantes

 

É sempre conveniente a montagem dos falantes faceados com o painel frontal. Esta prática evita que a espessura da parede provoque ressonâncías parasitas e difração. Os falantes devem ser firmemente aparafusados e suas juntas com o painel calafetadas com selante de silicone ou massa plástica.

 

Neste sentido é muito importante que a caixa seja absolutamente estanque - todas as juntas devem ser bem coladas e calafetadas, e usados reforços em todas as junções e quinas.

Em caso do emprego de falantes grandes, com magnetos pesados, é conveniente escorá-los contra o painel traseiro usando travessões de madeira resistente colados entre o magneto e o painel traseiro.

 

Outro cuidado a ser tomado refere-se a assegurar que todas as ligações elétricas apresentem a menor resistência de contato possível. A melhor forma consiste em soldar as ligações ao falante e divisor. Algumas marcas de equipamentos costumam usar terminais com parafusos, neste caso estes devem ser apertados o mais possível, sendo posteriormente lacrados em silicone para evitar que a ligação solte-se com o tempo e para impedir a oxidação natural que aumentaria a resistencía de coatato. Os fios usados serão sempre de bitola avantajada, de diâmetro de 1,29 mm (16 AWG), 1,63 mm (14 AWG) ou 2,05 mm (12 AWG) - isto não representa custo adicional em relação ao total que será gasto e impede que parte da potência do amplificador seja gasta termicamente nos fios, como também dando aproveitamento total ao fator de amortecimento do mesmo.

 

Um aspecto ainda pouco compreendido na reprodução do som é o que diz respeito às relações de fase entre os diversos falantes nas frequências de transição do divisor. Abstraindo os desvios de fase que ocorrem antes do sinal alcançar os falantes, nestes podemos destacar três efeitos principais:

 

desvio de fase no divisor de frequências,

diferenças no tempo de resposta de falantes, e

atrasos provocados por caminhos diferentes percorridos pelo mesmo som emitido por falantes diferentes.

O primeiro efeito foge um pouco dos nossos objetivos neste artigo e não será tratado aqui. O segundo depende dos falantes usados e não se encontra ao alcance do amador determinar e corrigir seus efeitos. Já a terceira causa ocorre dependendo do posicionamento geométrico dos falantes no sonofletor.

 

Para perfeito casamento entre falantes diferentes, emitindo o mesmo sinal nas frequências de trasição, é necessário que as ondas sonoras percorram caminhos exatamente iguais até o ouvinte, conforme mostra a figura 8.

 

 

 

 

 

 

Isto geralmente não ocorre nas caixas comuns, nas quais os falantes são posicíonados na mesma linha vertical, devido à diferença de profundidade entre falantes de graves e agudos. Como o som é emitido a partir da bobina móvel, que é o lugar onde se dá a transformação da corrente elétríca em energia sonora, as ondas não chegam em fase ao ouvinte. Este efeito é corrigido defasando-se o ”woofer" para a frente, ou inversamente, o “tweeter" para trás, alinhando-se na vertical suas bobinas móveis. Isto pode ser conseguido pelo uso de painéis em posições diferentes ou ínclínando-se ligeiramente a frente da caixa - o acerto final dependerá dos tipos de falantes empregados.

 

 

 

Conclusão

 

De tudo o que foi mostrado, é importante ter em mente o seguinte: o recinto acústico deve ser o mais neutro possível, para isto a caixa será rigidamente construida, quanto mais melhor.

 

Todos os aspectos cobertos acima foram experimentados na construção de dezenas de sonofletores, desde caixas pequenas de 15 litros a subwoofers de 150 e 200 litros.

 

O Autor apreciaria que os leitores que possuissem experiências na montagem de caixas acústicas, usando vários tipos de materiais e construções diversas, relatassem para Áudio Espresso os resultados.

 

 

 

Referências

 

Paulo Albuquerque - Sonofletores em Baixas Frequêncías, Antenna, junho de 1980.

 

 

P.W. Tappan - Loudspeakers Enclosures Walls, Journal of the Audio Engineering Society, julho de 1962.

 

 

M. Colloms - High Performance Loudspeakers, Pentech Press, 1978.

 

 

Paulo Albuquerque - Dois sonofletores com Radiador Ativo - Antenna, julho de 1978.

 

 

H.F. Olsen - Direct Radiator Loudspeakers Enclosures, Journal of the Audío Engineering Society, janeiro de 1969.

 

 

G.A. Briggs - Cabinet Handbook, Rank Wharfedale, 1962.

 

 

Vance Dickason - Caixas Acústicas e Alto-falantes, H. Sheldon, 1993

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