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[4r]Clássicos: Concorde, o calhambeque artesanal de R$ 350.000 dos anos 70

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mg_8253.cr2_.jpgO fora de série tem 38 anos, mas com corpinho de 88Quatro Rodas

João Storani foi um dos primeiros a preservar carros antigos no Brasil, um precursor em meio a colecionadores como Roberto Lee, Og Pozzoli e Flávio Augusto Marx.

Sua predileção por americanos como Duesenberg, Peerless e Pierce-Arrow o levou a criar o Concorde, fora de série com nome de avião supersônico e visual da década de 1930.

Empresário bem-sucedido, Storani iniciou o projeto em 1974 com os filhos João Antônio e Cesar Augusto. O Concorde usou a mecânica do Ford Galaxie – motor, câmbio, suspensão dianteira e eixo traseiro.

O capricho na carroceria de plástico reforçado em fibra de vidro demonstrava a excepcional qualidade de construção.

A proibição das importações em 1976 aumentou o interesse do mercado interno e Storani foi convencido a exibi-lo no 10º Salão do Automóvel, em 1976.

Mesmo sem preço definido, o Concorde cativou integrantes da alta sociedade e interessados em representar a marca no exterior.

mg_8247.cr2_.jpgSuspensão independente do GalaxieQuatro Rodas

A proposta mais tentadora foi a de exportação para os EUA, onde o único similar era o Excalibur, de Brooks Stevens.

Foi então que Storani fundou a Concorde Indústria de Automóveis Especiais Ltda., viabilizando a produção do chassi de longarinas perimetrais e numeração de chassi no padrão americano.

Teria duas carrocerias: conversível de dois lugares e phaeton de cinco lugares. Este último esteve no 11º Salão do Automóvel, em 1978, e após o evento foi submetido ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para homologação.

Ao perceber a seriedade da iniciativa, a Ford do Brasil manifestou interesse em fornecer os componentes do Galaxie.

O comprometimento com outros empreendimentos fez Storani vender a fábrica para o chinês William Ting, com vasta experiência em comércio exterior.

O veículo das fotos é o mesmo do Salão do Automóvel de 1981 e destacou-se na edição 256 da QUATRO RODAS como o automóvel mais caro do evento.

Foi nesse salão que um empresário americano assumiu a representação da Concorde, levando as duas primeiras unidades para os EUA. Os automóveis foram exportados sem motor e câmbio, pois seriam reprovados pelas exigentes normas de emissões estrangeiras.

Cada Concorde levava seis meses para ser produzido, seguindo sempre a especificação de cada cliente.

Devido a problemas enfrentados pelo representante americano e à recessão que afetou a demanda do mercado brasileiro, a produção do Concorde foi encerrada por William Ting em dezembro de 1985.

mg_8255.cr2_.jpgA carroceria phaeton é a mais rara: uma das duas produzidasQuatro Rodas

Treze Concordes foram produzidos no padrão original de João Storani, incluindo duas unidades exportadas.

Sete carrocerias remanescentes foram adquiridas pelo colecionador paulistano Ari Vicentini e três foram finalizadas como os Concordes originais. As quatro restantes foram descaracterizadas e deram origem a modelos distintos.

O carro das fotos é um dos dois exportados para os EUA e foi encontrado por Eduardo Storani, neto de João, em um site de leilões.

Até agora trata-se do único automóvel brasileiro repatriado anos após a exportação, processo lento e burocrático realizado pelo consultor José Paulo Parra junto ao Denatran.

Além dele, mais três Concordes integram o acervo da família Storani, que hoje se dedica a preservar a memória da obra mais ilustre do patriarca, falecido em 1996, aos 72 anos.

A história do mais exclusivo dos automóveis nacionais será publicada em livro, após um vasto trabalho de pesquisa e registro do colecionador e historiador Murilo Brolio.

chr5011.cr2_.jpgCD-player no painel é lembrança da vida nos Estados UnidosQuatro Rodas

Ficha técnica – Concorde 1981

  • Motor: longitudinal, V8, 4.950 cm3, 2 válvulas por cilindro, comando de válvulas simples no bloco, carburador de corpo duplo; 199 cv a 4.000 rpm; 30,6 mkgf a 2.800 rpm
  • Câmbio: automático de 3 marchas, tração traseira
  • Dimensões: comprimento, 520 cm; largura, 180 cm; altura, 140 cm; entre-eixos, 350 cm; peso, 1.500 kg
  • Pneus: 6.50 x 16
  • Desempenho: Não disponibilizado pela empresa.
  • Preço: Cr$ 4,8 milhões (novembro/81)
  • Preço Atualizado: R$ 354.000 (IPC-A/IBGE)

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Aqui em Jundiaí, existia uma "fabrica abandonada" onde tinha diversos jogos de rodas do concorde jogadas ( estava jogadas mesmo, não estava num comodo especifico.. ou arrumadas num canto, estavam jogadas... 

Eu fiquei com 2 jogos completos, com todas as tampinhas.. 

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